
Amanhece o dia e ligo a TV. Os noticiários só falam em tragédias. Desligo a TV, ligo o rádio, pior ainda. Quem sabe o Whatsapp ou o Face me tragam boas notícias! Ledo engano. Desisti de trabalhar. Vou ao boteco, espairecer, ver gente, conversar. Fico pensando: o que fizeram com o Rio?
Escolho a mesa de costume e peço um chopp ao Antônio, meu garçom favorito, que sempre se antecipa ao que vou pedir. Garçom eficiente é assim. Logo em seguida chega o primeiro membro da confraria, que chamarei de Clóvis em homenagem a um grande amigo que já se foi, acompanhado do Zé Fuzileiro. Hoje estou desenterrando os mortos. Em vida demonstraram ser amigos de verdade.
Começamos a falar da situação atual do Rio de Janeiro. Percebo que é melhor beber pouco. A bebida não vai descer bem.
O que fizeram com o Rio?
— Você viu o que aconteceu ontem à noite? Polícia e bandidos trocando tiros no meio do bloco carnavalesco. Gente ferida.
— Isso é grave. Os hospitais não têm médicos e enfermeiros em quantidade suficiente. O governo não paga salários, não compra medicamentos, falta tudo. Dizem que os doentes internados passam fome pois falta comida. A roupa de cama não é trocada, o calor é insuportável.
— E a Polícia, por que trocou tiros na rua, no meio de um bloco carnavalesco?
— É pra você ver a que ponto chegamos. Nem vou comentar.
— O que fizeram com o Rio para chegarmos nesse ponto?
— Má gestão e muita roubalheira. Os políticos que governaram o Rio nos últimos anos são acusados de receberem propina e muitos já estão presos. A educação do povo foi negligenciada de propósito e o aumento da miséria e ignorância deu no que deu. Os alunos passam de ano sem saber a tabuada. Todos os titulares das secretarias do governador Sérgio Cabral, que está preso e condenado, estão envolvidos com desvios de dinheiro. Falta hoje o que roubaram ontem.
— Tenho pena dos turistas que nos visitam. Estão sendo enganados.
— Enganados eu não digo, pois as notícias estão sendo largamente difundidas. Quem vem ao Rio sabe o que pode encontrar. Sabe que se entrar em uma rua por engano, como aquela entrada a Vila do João, vai levar um tiro de fuzil. Arma de guerra.
— A sorte, se é que podemos chamar assim, é que o carioca é, em sua maioria, um povo hospitaleiro, de coração bom. Pode matar em uma discussão no trânsito, mas avisa se a porta do carro não está fechada corretamente.
— E o Prefeito, por onde anda?
— Na última vez que o vi estava fazendo compras em New York. Prefeito igual a esse, melhor não ter, mas as opções que o carioca tinha não eram as melhores.
— Melhor entregar a Deus e tratar da nossa vida.
— Antônio, fecha a conta.
Rio de Janeiro, gosto de você. Que um dia volte a ser a Cidade Maravilhosa que conheci, o Rio Antigo.>
Bons tempos, Paulinho. Estou curtindo muito o alma carioca. Parabéns!
Obrigado, Frida. Tem alguma sugestão? Gosto de novas ideias.
Bons tempos, Paulinho.